Conversar com Alison Reitz é dar de cara com a realidade mais nua e crua da arte independente no Brasil. Nascido em Florianópolis, esse catarinense de 29 anos, formado em Letras, se define como alguém sentimental, trabalhador e profundamente criativo. Mas, acima de tudo, Alison é um sobrevivente! Sem o apoio tradicional de familiares ou amigos, ele aprendeu cedo que, se quisesse ver sua arte no mundo, teria que construir os próprios degraus, praticamente sozinho.
O K-Pop como Escola e o Divórcio com o Óbvio

A paixão pelo canto e pela dança sempre esteve ali, mas encontrou sua força motriz na estética e na disciplina do K-pop. Alison participou de grupos cover e competiu até ingressar na K.O. Academy, onde teve aulas de canto, dança e gerenciamento artístico. Foi a base técnica que ele precisava.
Porém, o verdadeiro estopim para suas composições autorais veio de um lugar doloroso: uma relação conturbada em 2021. Da dor, nasceram cinco faixas que deram vida ao seu EP de estreia, DESconexão. Foi ali que o seu universo pop começou a orbitar.
Criando Universos e Nomeando “Aliens”
Se as oportunidades são raras e o investimento cultural na sua região é baixo, Alison resolveu expandir o seu próprio cosmos. Seu projeto mais marcante até aqui, a música “Cara Espacial”, foi a responsável por ditar a estética do EP, dar o seu primeiro gostinho de produção musical e batizar oficialmente o seu fandom: os Aliens.
Como o próprio Alison diz, ele trabalha para viver o seu sonho. Sem retorno financeiro imediato, ele já transformou palcos de escolas públicas onde dava aulas em espaços de performance. Essa vontade de fazer acontecer o levou a fundar a AR Music Entertainment, empresa pela qual ele gerencia sua carreira, auxilia outros artistas independentes e coordena os grupos que atuam como seus backdancers.
Inteligência Artificial e os Próximos Passos
Atualmente, Alison está imerso na produção do single “também…”, um projeto executado em uma escala menor devido aos custos, evidenciando o equilíbrio constante que o artista independente precisa ter com a realidade. Mas a mente criativa não para: através da AR Music, ele está lançando a carreira do artista T!DY e encabeçando o inovador projeto AiR, onde utiliza a Inteligência Artificial para resgatar e dar vida a composições que haviam sido descartadas no passado.
O que motiva o Alison?
O que mais me impacta na trajetória do Alison é o fato de ele não usar a escassez como desculpa para a mediocridade. Ele cria conceitos inteiros, desde fandoms a empresas de entretenimento, com as ferramentas que tem em mãos.
Ao final do nosso papo, quando pedi um conselho, ele foi de uma crueza necessária: “Não espere um milagre. Não espere que alguém vá pegar você pela mão e te levar onde você quer. Faça acontecer. Estude, trabalhe, invista, produza e transforme seu sonho em realidade.”
Alison Reitz é a prova viva de que, mesmo quando o mundo ao redor parece não investir na sua voz, você pode construir o seu próprio planeta e convidar as pessoas para dançar nele.

Alison na Arte por Paixão
Acho que uma das coisas que mais me toca nessa história é a proximidade de realidades. Tanto a trajetória do Alison quanto o próprio Mundo do Ro são projetos que nós mesmos investimos do próprio bolso, sem nenhum retorno financeiro imediato. Fazemos por paixão, por dedicação e pela necessidade visceral de se expressar.

E para você já entrar na órbita desse universo, no último dia 09 de junho saiu a música “também…” em todas as plataformas digitais. Vou deixar o link aqui embaixo para vocês ouvirem, apoiarem e compartilharem. Valorize o artista independente!
